agosto 28, 2026 · 6min de leitura

Prevenção Preditiva: Como os Bancos Brasileiros Podem Interromper Golpes no Pix Antes Que Aconteçam

Kleber Santos
Kleber Santos

Solution Consulting Manager

Kleber Santos is a Solution Consulting Manager at Feedzai, driving digital transformation by merging complex AI architectures with business strategy to deliver secure, compliant fraud prevention, AML, and KYC solutions.
Illustration for article on predictive scam prevention for Brazil Pix scams

A Lacuna de Percepção: O Impacto Humano da Fraude

Priorizando a Confiança na Economia do Brasil ao Proteger o Pix Contra Golpes

Defesa de Precisão: A Necessidade da Análise Comportamental em Tempo Real

Da Vigilância do Consumidor à Proteção Invisível

Por Que uma Estratégia Multissetorial É Essencial para a Prevenção de Golpes

Perguntas Frequentes (FAQs) Sobre a Prevenção de Golpes no Pix

O relatório The State of Scams Brazil 2026 (GASA) revela um cenário preocupante: as perdas financeiras anuais com golpes no país ultrapassam R$ 21,2 bilhões, e 81% da população adulta é exposta frequentemente a tentativas de fraude.1 

Esses dados confirmam que os golpistas estão se tornando cada vez mais criativos e diversificados, cobrindo praticamente todos os segmentos de mercado disponíveis com potenciais vítimas. Por mais perturbadora que essa constatação seja, ela destaca um caminho a seguir rumo a uma prevenção mais forte. É urgentemente necessária uma estratégia combinada de colaboração multissetorial, que una recursos e tecnologia entre plataformas, bancos, telecomunicações, governo, autoridades policiais e, acima de tudo, consumidores, para interceptar os golpes antes que resultem em perdas.

Principais Descobertas

  • As perdas financeiras anuais com golpes no Brasil ultrapassam R$ 21,2 bilhões, com 81% da população adulta exposta frequentemente a tentativas de fraude, segundo a pesquisa da GASA.1
  • Embora 42% dos brasileiros se sintam confiantes em sua capacidade de identificar um golpe, 56% daqueles que foram expostos acabam interagindo com a atividade fraudulenta.1
  • O sistema Pix no Brasil permitiu transações mais rápidas, mas também fraudes mais rápidas. Isso exige uma defesa de nível de precisão para evitar golpes antes que o dinheiro seja perdido.
  • Para combater o crime digital com eficiência, o ecossistema financeiro deve migrar para a prevenção preditiva, analisando sinais comportamentais em tempo real para interceptar transações sob coerção.
  • Uma estratégia multissetorial na qual bancos, provedores de telecomunicações e o governo trabalhem juntos é essencial para prevenir golpes.

A Lacuna de Percepção: O Impacto Humano da Fraude

O relatório da GASA mostra que 42% dos brasileiros afirmam confiar em sua capacidade de identificar um golpe. No entanto, mais da metade (56%) relatou ter interagido com alguma forma de fraude.

Entre os que interagiram, 25% perderam dinheiro ou forneceram dados que levaram a perdas financeiras impulsionadas por falsas promessas de ganhos financeiros com investimentos, quitação fácil de dívidas, compras de produtos a preços “imperdíveis” e até contatos e interações falsas com golpistas se passando por funcionários ou gerentes de banco.

Esse impacto não é apenas econômico. As vítimas relatam que o golpe afetou seu bem-estar mental e criou uma profunda desconfiança nas ferramentas digitais. Essa desconfiança afeta os serviços prestados pelas instituições financeiras, levando os clientes a abandonar ferramentas projetadas para trazer conveniência e confiança.

Priorizando a Confiança na Economia do Brasil ao Proteger o Pix Contra Golpes

O Brasil está na vanguarda da tecnologia financeira. Somos uma referência global e exportamos inteligência há bastante tempo. Um excelente exemplo é o nosso sistema de pagamento Pix, fonte de inveja e debate em outros países que se sentem em desvantagem devido à velocidade e praticidade que as transferências instantâneas trouxeram ao mercado financeiro brasileiro, além de maior inclusão financeira e eficiência.

No entanto, nos tornamos reféns de uma tecnologia que facilitou ainda mais a vida de quem acorda pensando em como roubar dinheiro dos outros, mudando fundamentalmente a dinâmica da fraude para pior. No Brasil, um em cada quatro golpes resulta em perda financeira em questão de segundos. Hoje, muitos modelos tradicionais de prevenção baseados em regras rígidas ou no processamento em lote de fim de dia tornaram-se obsoletos e puramente reativos.

O grande desafio para o mercado bancário não é apenas conter perdas, mas preservar a confiança do cliente no ecossistema digital. Não podemos mais nos dar ao luxo de ser meramente proativos. A solução definitiva é a predição que atua antes que a fraude ocorra, e não depois.

Analisando alguns números que refletem essa necessidade:

Os principais canais de contato utilizados pelos golpistas são:

  • Chamadas telefônicas: 53%
  • plicativos de mensagens instantâneas: 49%
  • E-mail: 39%
  • SMS: 38%
  • Redes sociais: 28%
  • Publicidade digital: 19%

Entre as plataformas específicas, o WhatsApp ocupa o primeiro lugar, citado por 64% das vítimas, seguido pelo Gmail, com 32%.

Como mostram os números acima, os golpes não acontecem apenas pela invasão do aplicativo ou celular da vítima, mas pela manipulação da vítima para que ela mesma faça a transferência ou pagamento.

Defesa de Precisão: A Necessidade da Análise Comportamental em Tempo Real

Os dados reforçam a necessidade de agir antecipadamente e dar um passo atrás. Cada transação ou pagamento surge de uma motivação, uma ação e um comportamento. Esses padrões podem identificar cada cliente de forma única. Para conter eficazmente a dinâmica das quadrilhas de crimes digitais, o ecossistema financeiro precisa migrar da reação para a prevenção preditiva.

Ao discutir a prevenção preditiva, devemos olhar um passo à frente da transação ou pagamento e analisar os sinais mais sutis de como os usuários interagem com seus dispositivos em tempo real (cadência de digitação, padrões de toque, hesitação e movimento do telefone). Analisar minuciosamente as mudanças nesses sinais ajuda a identificar indicadores de estresse, coerção ou comportamento atípico durante a transação, permitindo interceptar a operação mesmo quando a vítima a autoriza sob a influência do golpista.

Ao focar em todo o ciclo de vida e em todos os eventos que antecedem a transação (em vez de focar apenas na transação em si), ganhamos uma visão muito mais ampla da situação. Podemos avaliar os riscos envolvidos com uma precisão muito maior. A palavra precisão é usada intencionalmente aqui, pois reflete a correlação de centenas de milhares de sinais históricos e comportamentais em meros milissegundos.

Da Vigilância do Consumidor à Proteção Invisível

Pequenas precauções podem fazer uma grande diferença: evitar interagir com comunicações não solicitadas, verificar links e endereços de e-mail em busca de domínios estranhos ou extensões incomuns, pesquisar a reputação da empresa, consultar pessoas de confiança e, naturalmente, contatar as instituições por meio de seus canais oficiais. Evite usar links, números de telefone ou instruções enviadas em mensagens suspeitas.

Não podemos confiar apenas em campanhas de conscientização, na educação do consumidor e no julgamento individual para decidir se um site, contato ou interação é legítimo. As instituições devem agir de forma sutil, sem fricção desnecessária, e de forma inteligente ao correlacionar e compreender os dados.

O processo contínuo de denúncia de golpes continua sendo uma variável importante nessa equação, pois alimenta o ciclo de feedback, nos ajuda a entender novas tipologias de fraude e possibilita o compartilhamento de inteligência entre as instituições e o governo.

Um ótimo exemplo disso é o MED 2.0, uma atualização regulatória recente do Pix. Enquanto o MED 2.0 atua na fase “pós-fraude” (mitigação de danos e recuperação de ativos após a ocorrência do golpe), soluções como a Feedzai atuam na fase “pré-fraude” (prevenindo transações suspeitas em tempo real).

Esses sistemas se complementam: a inteligência da Feedzai reduz o volume de transações fraudulentas executadas, enquanto o MED 2.0 funciona como uma rede de segurança para recuperar o capital quando uma vítima é manipulada por engenharia social a ponto de realizar a transferência por conta própria.

Por Que uma Estratégia Multissetorial É Essencial para a Prevenção de Golpes

Os dados da GASA destacam a necessidade de uma estratégia combinada: as vítimas de golpes atribuem a maior responsabilidade de proteção às plataformas online usadas por criminosos (26%), seguidas pelo governo (17%), responsabilidade individual (14%), bancos e processadores de pagamento (9%) e operadoras de telecomunicações (7%).

Isso mostra que há um espaço imenso para construir uma estratégia unificada em que bancos, provedores de telecomunicações e governo atuem juntos e perfeitamente integrados, sem deixar brechas para os golpistas explorarem. É a definição mais clara do ditado: “A união faz a força”. Ou, neste caso, “A união faz a prevenção contra golpes”.

Recurso Adicional

Perguntas Frequentes (FAQs) Sobre a Prevenção de Golpes no Pix

O que é a prevenção preditiva de golpes?

A prevenção preditiva representa uma mudança fundamental dos métodos tradicionais e reativos de detecção de fraudes para uma abordagem proativa e em tempo real. Enquanto os sistemas legados costumam confiar em modelos rígidos baseados em regras que analisam as transações após a sua ocorrência, a prevenção preditiva foca em todo o ciclo de vida da interação do usuário. Ao aproveitar tecnologia avançada para monitorar e analisar sinais comportamentais em tempo real, as instituições financeiras podem identificar indicadores sutis de fraude (como coerção ou comportamento atípico do usuário) antes que a transação seja finalizada. Essa estratégia baseada em precisão permite que os bancos interceptem operações maliciosas enquanto elas estão em andamento, em vez de apenas tentar recuperar fundos após o dano ter sido causado. Essencialmente, significa antecipar ameaças e evitar perdas financeiras completamente, em vez de mitigar as consequências após um golpe bem-sucedido.

Por que a prevenção preditiva de fraudes é importante para o sistema Pix no Brasil?

O sistema Pix no Brasil permite transferências quase instantâneas, melhorando significativamente a eficiência e a inclusão financeira. No entanto, essa mesma velocidade e praticidade podem ser usadas como arma por criminosos, criando um ambiente onde perdas financeiras podem acontecer em segundos. Modelos tradicionais de prevenção, que muitas vezes dependem do processamento em lote de fim de dia ou de regras estáticas, estão hoje amplamente obsoletos porque não conseguem acompanhar o ritmo do crime digital moderno. A prevenção preditiva é, portanto, crítica porque fornece a defesa de nível de precisão necessária para proteger esse ecossistema. Ela permite que os bancos mantenham a conveniência do sistema Pix ao mesmo tempo em que interrompem ativamente transferências fraudulentas que os sistemas tradicionais deixariam passar, protegendo assim o consumidor e a integridade do ecossistema financeiro digital.

Os bancos podem detectar golpes quando o próprio cliente autoriza a transação?

Sim, os bancos estão cada vez mais capacitados para detectar golpes mesmo quando um cliente autoriza manualmente uma transação. Muitos golpes modernos se baseiam em manipular as vítimas para que façam pagamentos sob falsos pretextos, como por meio de coerção ou engenharia social. Como a motivação humana e uma ação específica precedem cada transação, os bancos podem usar a análise comportamental para olhar além da autorização em si. Ao analisar os sinais mais sutis de como os usuários interagem com seus dispositivos durante o processo de transação — incluindo fatores como cadência de digitação, padrões de toque, hesitação e movimento do dispositivo —, as instituições financeiras conseguem identificar indicadores claros de estresse ou influência externa. Isso permite que os bancos interceptem com precisão transações que, embora tecnicamente autorizadas pela vítima, estão claramente sendo executadas sob a influência de um golpista, oferecendo uma camada crucial de segurança.

Qual é o papel da análise comportamental na prevenção de golpes?

A análise comportamental é a pedra angular da “defesa de precisão” na prevenção moderna de fraudes. Ao estabelecer um perfil comportamental único para os clientes, as instituições financeiras conseguem identificar exatamente como cada indivíduo costuma interagir com seus dispositivos e plataformas. Quando uma transação se desvia desses padrões estabelecidos, ou quando o sistema detecta sinais de estresse ou coerção — como alterações na velocidade de digitação, padrões de toque irregulares ou hesitação incomum —, o mecanismo de análise comportamental sinaliza a operação como um risco potencial. Essa tecnologia permite que as instituições analisem milhares de sinais históricos e comportamentais em meros milissegundos, oferecendo uma visão abrangente do ciclo de vida da transação. Em vez de depender de um único ponto de dados, a análise comportamental correlaciona esses diversos sinais para tomar decisões altamente precisas, permitindo que os bancos interrompam golpes sofisticados antes que eles resultem em perda financeira para o consumidor.

Footnotes

1 https://gasa.org/knowledge-base/reports/state-of-scams-in-brazil-2026

All expertise and insights are from human Feedzaians, but we may leverage AI to enhance phrasing or efficiency. Welcome to the future.

Page printed in setembro 18, 2026. Please see https://www.feedzai.com/pt-br/blog/prevencao-preditiva-golpes-bancos-brasil-pix/ for the latest version.